Programa de Planejamento Estratégico Ashoka-McKinsey chega à quarta etapa

Nos dias 13 e 14 de fevereiro aconteceu mais uma etapa do Programa de Planejamento Estratégico Ashoka-McKinsey. Foram dois dias de trabalho intenso entre as nove organizações participantes e dezessete consultores da McKinsey and Co. Na quarta, e penúltima, fase do Programa muita discussão a respeito de captação e das atividades planejadas para os próximos cinco anos.

O evento começou na manhã de sexta-feira no SESC Vila Mariana, em São Paulo. Em uma grande roda, os empreendedores sociais contaram suas impressões sobre o impacto do PPE em suas organizações. A opinião geral foi a de que o trabalho é grande, mas que, no fim, todos estarão prontos para dar um salto em suas organizações.

A boa percepção dos parceiros e investidores sobre o planejamento que está sendo feito com a orientação dos consultores da McKinsey também foi muito falada. A empreendedora social Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, resumiu em essa impressão. “Parece que essa coisa de planejamento estratégico é muito bem vista”, disse.

Depois de compartilharem todas as expectativas e todas as experiências era a hora de começar a trabalhar, de fato, nesta etapa. “Agora é a hora de transformar o que vocês vêem (nas organizações) na prática do dia-a-dia”, disse Hélcio Tokeshi, ex-AP da McKinsey.

As atividades foram iniciadas com um assunto polêmico: a captação de recursos e os negócios sociais.

Em uma conversa com a diretora da Ashoka Brasil-Paraguai, Mônica de Roure, e com a presidente da Artemísia, Kelly Mitchell, os empreendedores sociais, assim como os outros membros de suas organizações, debateram a dificuldade de captação de recursos que se tem hoje em dia. A mudança de cenário de investimentos e a crise econômica mundial foram dois dos motivos apresentados para a diminuição dos investimentos sociais.

Uma nova forma de captação, baseada em parcerias e não em patrocínios foi um dos caminhos apontados para driblar essa escassez de financiamentos.

Outra solução apresentada foi a criação de negócios sócias. Empresas que têm, sim, fins lucrativos, mas que busquem melhorar a qualidade de vida da população através da comercialização de serviços e produtos. Um modelo que combina a vontade de mudança das ONGs com as práticas lucrativas empresariais e, de forma responsável, contribui para a transformação social.

Foi o gancho para uma tarde que prometia.

Os participantes foram convidados a pensar em suas visões do futuro. Como as organizações estariam daqui a cinco anos, em 2014? Qual seria seu impacto? Seus recursos? Suas atividades?

Era o aquecimento para uma discussão em grupos – três grupos com os participantes de três organizações em cada um deles – em que cada um exporia suas expectativas para os anos que virão.

Como acontecera de manhã, era a hora da ligação com a realidade. Uma oficina ajudou os empreendedores a entenderem os mecanismos mais eficientes para estabelecer os preços de seus serviços e produtos, dependendo de suas estratégias e interesses.

Mais conversas, dúvidas, esclarecimentos. O dia chegava ao fim. Era a hora da mão na massa.

Para o sábado, uma lição de casa. As organizações precisavam apresentar um cronograma de atividades – que as levariam àquele ano de 2014 – e um fluxo de caixa que tornariam essas atividades viáveis.

Hora de ir. Mas só por uma noite. A manhã chegaria com muito mais coisa para fazer.

A manhã de sábado começou chuvosa na cidade, mas nem por isso a vontade de trabalhar era menor. Dessa vez todos se encontraram no escritório da McKinsey and Co.

Sozinhos com os mesmos consultores que as acompanham desde o início do PPE, as organizações passaram longas horas conversando sobre atividades, cronogramas, fluxos de caixa. O que fazer? Como fazer? Em que momento fazer?

Uma manhã de trabalho que iluminou os caminhos a serem seguidos. Trouxe certezas para uns e dúvidas para outros, mas que, certamente, mostrou a todos que o trabalho feito nas três outras etapas tinha sido bem feito e que, a partir de agora, as coisas começariam a tomar mais forma.

Com a tarde, o encontro chegava ao fim. Mas o trabalho não.

Uma oficina ajudou a construir as métricas de todo o planejamento feito. Dicas sobre como acompanhar as atividades e ver se elas estão no rumo certo. Se tudo aquilo que foi pensado está funcionando. E, se não, como ter um plano de emergência para corrigir o prumo, ou até mudar de estratégia para se chegar aonde se quer.

A noite veio. Aí sim o encontro chegava ao fim. Era a hora de se despedir, com a sensação de dever cumprido. Era a hora de ir para casa pensando em tudo o que foi falado, aprendido. Sabendo que a quinta, e última etapa, não está longe e que todos estarão ali chegando ao fim de uma longa, mas proveitosa, caminhada.

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