Critérios de Seleção

Antes de apresentarmos os critérios de seleção, é importante ressaltar os casos não elegíveis ao processo.

A Ashoka não seleciona nem apoia:

. iniciativas que ainda não tenham começado;
. projetos, eventos, cursos e trabalhos isolados;
. iniciativas assistenciais;
. iniciativas e candidatos ligados ao setor público via cargos comissionados ou elegíveis (seja em nível Municipal, Estadual e/ou Federal);
. iniciativas e candidatos que façam uso de qualquer tipo de violência ou discriminação para alcançar seus objetivos;
. iniciativas de cunho religioso que sejam conduzidas de forma proselitista;
. iniciativas e projetos político-partidários;
. iniciativas com fins artísticos.

A inovação é o ponto crucial na seleção. A experiência de 30 anos possibilitou a criação de um processo para avaliar se uma proposta é inovadora e se, simultaneamente, a pessoa e sua iniciativa atendem aos princípios e valores da Ashoka, através desses 5 critérios:

  1. Inovação
  2. Perfil Empreendedor
  3. Impacto social
  4. Criatividade; e
  5. Fibra ética

Veja a seguir a compreensão que temos de cada um deles.

1. INOVAÇÃO

A Ashoka não dá continuidade ao processo de seleção caso o(a) candidato(a) não possua um trabalho inovador – uma nova solução para um problema social – que tenha potencial para mudar paradigmas de uma área, seja em direitos humanos, meio ambiente ou qualquer outro tema.

A iniciativa inovadora é avaliada historicamente, em contraste com o contexto atual da área, buscando a diferença em relação às propostas implementadas anteriormente no país inteiro para solucionar o problema e o seu potencial de mudança.

Algumas perguntas sobre inovação que direcionam nossa análise são:

• Como surgiu a idéia de trabalhar com o tema/projeto?
• Qual é a nova abordagem em relação a outros trabalhos e em relação ao contexto histórico do problema?
• Quanto do trabalho relacionado à iniciativa inovadora já está em andamento?

A Ashoka visualiza a inovação através de quatro grandes abordagens descritas abaixo com exemplos de Empreendedores Sociais em cada uma delas. Estas informações podem ajudar a analisar se a sua iniciativa tem o caráter inovador buscado pela Ashoka:

Novo Campo: quando a iniciativa cria um novo campo de conhecimento e atuação que beneficia a área social, inventando novas instituições, profissões e papéis sociais.

- João Joaquim de Melo Neto criou o Banco Palmas em Fortaleza, o primeiro banco da Região Nordeste de economia solidária e inclusão social. Através de um sistema econômico comunitário e uma moeda social paralela, chamada Palmas, o Banco oferece uma linha de micro-crédito alternativo que promove localmente a geração de renda e emprego para as famílias. A gestão do Banco é feita pela própria comunidade, possibilitando a existência de um sistema integrado com a moeda paralela que é reconhecida por produtores, comerciantes e consumidores. Joaquim possibilitou o aumento do comércio e o surgimento de um novo modelo de economia comunitária que já beneficiou milhares de famílias através da replicação de seu modelo em várias outras cidades. (Para saber mais)

- Nelsa Nespolo criou a primeira cadeia produtiva do algodão ecológico no Brasil, representada por uma marca chamada Justa Trama. Esta cadeia produtiva envolve os seguintes elos: plantio e colheita do algodão ecológico, com técnicas de conservação do solo e da água no estado do Ceará; fiação e tecelagem, produzidas por duas cooperativas no estado de São Paulo; desenho e confecção de produtos, desenvolvidos nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente; adornos (sementes) e tintas naturais provenientes da região Amazônica. Nelsa está contribuindo para a construção de um novo modelo econômico com potencial de transformar o país: a Justa Trama tem um grande poder de crescimento e seu modelo é aplicável em qualquer lugar e qualquer produto. (Para saber mais)

Novo Público: quando o trabalho promove a inclusão e participação em vários aspectos de um importante grupo da sociedade que tem os seus direitos sistematicamente e historicamente negados.

- Josilene Brandão da Costa trabalha com comunidades quilombolas em São Luís, representando um grupo social historicamente oprimido que se define pela resistência contra a escravidão. Os quilombolas vêm sofrendo severa pressão em várias frentes, desde o problema da propriedade da terra até o acesso a serviços básicos. Josilene combina um trabalho que vai desde a reforma agrária até a elaboração de políticas públicas com esforços locais para engajar quilombolas na sua própria revitalização cultural e econômica. As brinquedotecas nos quilombos, por exemplo, catalisam processos de mudança social e esforços comunitários para combater problemas como o analfabetismo e a falta de assistência de saúde. Josilene também cria linhas de produtos com base na herança cultural da comunidade e nos recursos naturais, contribuindo para a geração de renda. (Para saber mais)

- Joênia Wapichana criou a área jurídica do Conselho Indígena de Roraima (CIR), atuando principalmente na representação da população indígena perante os Governos Estadual e Federal. Joênia atua em três principais eixos: orientação sobre direitos fundamentais para indígenas (saúde, educação, territorial e ambiental); o Balcão de Direitos que leva até as terras indígenas o acesso à cidadania e documentação civil básica, através de serviços públicos disponíveis somente nas cidades; assessoria jurídica, que orienta vítimas de perseguição, ameaça, tortura ou discriminação racial; e acompanha casos de violação de direitos humanos. Além disso, Joênia é uma importante articuladora política nos níveis local, nacional e internacional, servindo de ponte entre os índios e as autoridades governamentais, denunciando arbitrariedades e exigindo o cumprimento dos direitos. (Para saber mais)

Novas Relações e Atores da sociedade: quando o candidato cria novos atores sociais e/ou aproxima grupos por meio de mudanças de hábitos, perspectivas e atitudes, estabelecendo novas formas de relação entre atores da sociedade inseridos no processo de mudança.

- Maria da Conceição Andrade Paganele dos Santos criou a Associação de Mães e Amigos de Crianças e Adolescentes em Risco (AMAR) com o objetivo de transformar realidade da Febem, hoje Fundação Casa. Através do fortalecimento social e político das mães dos internos, com base nos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Conceição não só fiscaliza a Febem, mas também media a relação entre a Fundação, os meninos e as famílias. Ela também promove ações judiciais, individuais ou coletivas que buscam compensações financeiras para jovens prejudicados pelo sistema, assim como a fiscalização e fechamento de unidades de internação sem condições adequadas de funcionamento. (Para saber mais)

- Benki Piyãko criou um novo ator na região amazônica – o Agente Agroflorestal, responsável por levar conhecimento adquiridos para diversas tribos indígenas em diferentes regiões. Primeiro Benki trabalha na conscientização dos indígenas para que entendam que existe um problema e, depois, desenvolve as formas de se combater este problema.Para isso, criou um Curso de Formação de Agentes Agroflorestais para elaborar e empregar métodos preservacionistas, através de metodologia participativa com a comunidade. Atuando em diversas tribos indígenas, esses Agentes trocam informações sobre problemas, soluções e desafios que cada tribo enfrenta com o intuito de se prevenirem e ajudarem-se mutuamente. Os Agentes Agroflorestais também ajudam as tribos a dialogarem quando suas terras são invadidas, um dos problemas mais freqüentes. (Para saber mais)

Novos Processos: quando o(a) candidato(a) inventa ou reinventa processos que mudam práticas de instituições, definindo novos objetivos, metodologias e políticas em benefício da sociedade.

- Jaílson de Souza e Silva criou o Observatório de Favelas no Rio de Janeiro, organização que investe na formação dos jovens das favelas, desenvolve ações na área de comunicação, estabelece contatos com outros atores externos, além de trabalhar na avaliação e monitoramento de políticas sociais. O Observatório busca construir um novo olhar sobre os espaços públicos, elaborando formas inéditas de pensar a cidade e os vínculos entre seus grupos sociais a partir da valorização da identidade da população de origem popular. (Para saber mais)

- Ana Paula Felizardo criou a Resposta – Responsabilidade Social Posta em Prática, em Natal, para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes que cresce paralelamente ao aumento do turismo no Nordeste do Brasil. Seu trabalho visa implementar o primeiro Código Brasileiro de Conduta do Turismo contra a exploração sexual infanto-juvenil: uma declaração formal e de livre adesão que orienta e regula a conduta ética de empresas, pessoas e serviços direta ou indiretamente ligados à indústria do turismo. O monitoramento da aplicação do Código segue um fluxo que vai desde o pedido de adesão até a concessão de um Selo Paulo Freire de Ética no Turismo. Para garantir sua observância, a Resposta inseriu a comunidade no processo com a capacitação de voluntários como agentes de monitoramento. (Para saber mais)

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2. PERFIL EMPREENDEDOR

A Ashoka busca pessoas práticas e pragmáticas que sabem como ultrapassar obstáculos e que, ao mesmo tempo, são movidas por idéias visionárias e inovadoras de transformação da realidade, com amplo impacto social. O(A) Empreendedor(a) Social procurado(a) pela Ashoka está profundamente comprometido(a) em fazer do seu trabalho um marco na história das soluções de problemas sociais.

A Ashoka busca, portanto, o(a) líder com uma iniciativa inovadora. A iniciativa pode estar num estágio inicial de lançamento ou disseminação (desde que já tenha impacto social); ou num estágio mais avançado, sendo referência na área de atuação ou disseminada globalmente.

O(A) Empreendedor(a) Social tem consciência – em qualquer estágio da sua iniciativa – de que para provocar mudanças na realidade, o seu envolvimento na implementação da idéia é de longo prazo (cerca de 10 a 15 anos). É por este motivo que a Ashoka insiste no comprometimento integral dos Empreendedores Sociais com suas iniciativas.

As estratégias de um(a) empreendedor (a)buscam tornar a sua idéia uma nova referência para toda a sociedade. Para esse pessoa, solucionar algo localmente, e não na sociedade como um todo, não lhe basta.

Os questionamentos abaixo e o exemplo de um dos empreendedores podem ajudá-lo a compreender o que a Ashoka busca ao analisar este critério:

• A pessoa tem uma metodologia, ferramenta, estratégia específica para mudar o futuro em determinada área de atuação?
• É legítimo o compromisso dessa pessoa em tornar a sua iniciativa uma nova referência para a sociedade?
• É visível a disposição dessa pessoa em dedicar-se integralmente à implantação desse trabalho?
• Esta pessoa tem uma visão clara das dificuldades e está aberta a discutir novas oportunidades?
• A história desta pessoa demonstra visão de futuro, determinação, formação, atenção aos detalhes, resiliência, capacidade de invenção e senso prático?

- Raquel Barros desenvolveu uma nova forma de trabalhar com meninas jovens mães que são usuárias de drogas, profissionais do sexo e/ou vítimas do abuso sexual. Este modelo criado por Raquel permite que a jovem mãe passe por um processo de acolhimento no qual a formação profissional, terapia, educação acontecem sem se distanciar do filho. Assim, o Projeto Lua Nova, de Sorocaba-SP, resgata a auto-estima, a cidadania, o espaço social, a auto-sustentabilidade e o direito à maternidade de jovens mães em situações de risco, possibilitando a vivência prazerosa do papel materno e a formação de crianças saudáveis. Raquel é um exemplo claro de perfil empreendedor para a Ashoka. Ela tem desenvolvido inúmeras parcerias, ampliado a atuação e o público de seus projetos, criado cooperativas, Empreiteira-Escola, programa de solidariedade Amigos da Lua Nova, além de ter várias iniciativas colaborativas com outros Empreendedores Sociais da Ashoka. (Para saber mais)

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3. IMPACTO SOCIAL

A Ashoka busca iniciativas que trazem mudanças significativas para a área de atuação do(a) candidato(a) e que tenham potencial de alcançar impacto nacional e/ou internacional. Isso significa que a idéia, após demonstrar sucesso em determinada região, deve mostrar condições evidentes de ser referência para a expansão em outros lugares do país e/ou do mundo.

Os questionamentos abaixo e o exemplo de um(a) Empreendedor(a) Social da Ashoka podem ajudá-lo a compreender o que buscamos ao analisar este critério:

• Os resultados observados e comprovados na implementação da iniciativa atualmente garantem mudanças significativas no problema hoje e no futuro?
• Quantas pessoas são beneficiadas hoje e quantas pessoas têm o potencial de serem beneficiadas no futuro?
• Esta iniciativa tem potencial para ser disseminada por seus próprios méritos (características e resultados alcançados)?
• O candidato tem estratégias pensadas ou já desenvolvidas para disseminar a iniciativa? o Qual é o passo-a-passo do candidato para multiplicar este trabalho em outras localidades?
• O candidato tem e busca parceiros para gerar sustentabilidade e ampliação do seu impacto? Se sim, quais?

- Vera Cordeiro criou a Associação Saúde Criança Renascer no Rio de Janeiro para ajudar crianças e adolescentes a escaparem do círculo vicioso da miséria-doença-internação-reinternação-morte que acompanha as famílias após a alta hospitalar. O projeto foi iniciado em um dos maiores hospitais da cidade no qual Vera trabalhou durante 20 anos como médica clínica. O trabalho já atingiu milhares de pessoas em três estados brasileiros. Além disso, a Associação Renascer inspirou outras instituições ligadas a hospitais públicos do Brasil, mas com administrações autônomas, e a uma instituição em Nova York que tem como intuito multiplicar esse modelo no mundo. (Para saber mais)

- Alemberg de Souza Lima criou a Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Cariri que usa o ensino da comunicação como base de um amplo trabalho de educação e promoção do homem. A organização, criada em Nova Olinda CE, estimula o protagonismo juvenil e faz de crianças e jovens os responsáveis pelo resgate da cultura, pela revitalização da economia e pela preservação do patrimônio arqueológico da região da Chapada do Araripe. As crianças estudam, administram a escola, o Museu de Antropologia, uma editora e departamentos de artesanato, música, teatro e informática. A atuação das crianças já modificou a vida da comunidade, levou à criação de um pólo turístico e estimulou os mais velhos a resgatar os valores da cultura local. O projeto atinge 60 municípios e chegou até a África: crianças e jovens de Nova Olinda e de Moçambique desenvolvem atividades conjuntas e produzem programas de rádio em uma rede que já se amplia para outros países de língua portuguesa. (Para saber mais)

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4. CRIATIVIDADE

Empreendedores Sociais bem-sucedidos são criativos e visionários, tanto na definição de objetivos, quanto na solução de problemas que possam ocorrer no processo de implantação de suas idéias. Para Ashoka, a criatividade faz parte da natureza do(a) Empreendedor(a) Social e não é algo que aparece apenas em algum momento da vida de uma pessoa. Para avaliar se o(a) candidato(a) possui ou não essa característica, a Ashoka procura conhecer trajetória de vida da pessoa. Nesta análise busca-se responder algumas questões:

• O(A) candidato(a) tem uma visão ampla e prática de como encontrar uma melhor solução para as necessidades da sociedade?
• A iniciativa em questão é de autoria do(a) candidato(a)?
• O(A) candidato(a) tem desenvolvido soluções criativas para problemas vigentes?
• O(A) candidato(a) demonstra tendência para continuar desenvolvendo soluções criativas no futuro?

- Wellington Nogueira criou a organização Doutores da Alegria para levar alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde, com base em sua experiência como “clown” em Nova York. A organização mantém programas em hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, reunindo uma equipe de atores profissionais especializados na arte do palhaço e em técnicas circenses. Eles visitam crianças enfermas com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida durante a internação. Os Doutores da Alegria desenvolvem abordagens criativas e inusitadas que contaminam o ambiente hospitalar com alegria e superação. Visando transformar essa atividade em uma profissão de futuro, a entidade criou um centro de estudos para pesquisar, organizar e disseminar conhecimento sobre o trabalho do palhaço profissional em hospitais, para as futuras gerações de artistas. (Para saber mais)

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5. FIBRA ÉTICA

De forma a assegurar que as relações criadas e fortalecidas na Rede de Empreendedores Sociais tenham como alicerce a confiança e respeito mútuo, a Ashoka busca candidatos que tenham e emitam confiabilidade. Para ser tornar uma referência na área, é fundamental que o(a) Empreendedor(a) Social possua fibra ética e discernimento ao longo do ganho de impacto e escala para conduzir a sua projeção pública de forma positiva. A Ashoka busca pedir referências sobre o(a) candidato(a), no que diz respeito a sua trajetória de vida e o seu trabalho, para obter mais informações que fortaleçam as evidências de sua fibra ética.

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